prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou ontem a criação de 3.265 moradias populares para moradores de áreas de risco na Várzea do Tietê, zona leste de São Paulo. Nove áreas serão desapropriadas nos bairros da Penha, Itaquera, Guaianases e Itaim Paulista, com uma área total de 142 mil m² e custo de cerca de R$ 300 milhões.
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Para os moradores do Jardim Romano, no entanto, as boas notÃcias só são dadas com o verbo no futuro. No presente, a região voltou à estaca zero - ontem, o bairro sofreu com os piores alagamentos desde as chuvas do dia 8. E técnicos da Prefeitura afirmam que não há soluções emergenciais para o Jardim Romano até o fim dos temporais de verão.
"Remover os moradores das áreas de risco é a solução definitiva para a região. Enquanto isso, vamos intensificar a limpeza dos bueiros e das galerias. Mas não há nada que se possa fazer para que o bairro não alague mais", diz o subprefeito de São Miguel, Milton Persoli.
A região voltou a sofrer com os alagamentos em decorrência das fortes chuvas de domingo. Após menos de uma semana de trégua (e seca), as ruas do Jardim Romano se tornaram mais uma vez uma lagoa, transitáveis apenas de bote. Como no primeiro alagamento, não é possÃvel utilizar agora caminhões com bombas, porque a água das ruas está no mesmo nÃvel do rio e o solo encharcado não absorveria o excesso. Para evitar que o Tietê continuem invadindo o Jardim Romano, a Prefeitura chegou a considerar a construção de um dique ou uma mega bomba de R$ 150 milhões. Outras propostas, como erguer o nÃvel de ruas que atualmente estão abaixo do rio, como a Capachós, também estão sendo avaliadas. No entanto, todas apresentam entraves técnicos.
A única saÃda para o bairro, segundo a Prefeitura, será a remoção de até 3 mil famÃlias e de todo o entulho nas margens do rio para a implantação de um parque linear, que vai atenuar o efeito das chuvas. O processo deve começar em março - até lá, as enchentes vão continuar.
"Quase todas as 340 unidades da CDHU já foram ocupadas pelas famÃlias que estavam em situação emergencial, e iremos fazer a partir de amanhã (hoje) o cadastro porta a porta de todas as famÃlias que estão na área de risco", diz Elisabete França, superintendente de Habitação Popular da Secretaria de Habitação. "Essas famÃlias receberão uma verba de auxÃlio-moradia durante todo o tempo que demorar até a construção dos apartamentos."
Enquanto o auxÃlio não chega, as famÃlias das áreas mais afetadas se acostumam com uma rotina de entra e sai no abrigo montado provisoriamente em uma escola pública. Ontem, foi a terceira vez que Cristina de Souza da Silva, mãe de sete filhos, levou finos colchonetes para lá para passar a noite. "Não aguento mais esse medo, não aguento mais ver a água entrando pela porta de casa", diz. "Precisamos de uma solução rápida. Quero ficar na minha casa, lógico, mas ainda prefiro vir aqui para o abrigo, porque pelo menos consigo dormir."
CRONOLOGIA
11 de dezembro
Para a Subprefeitura de São
Miguel Paulista, "não há o que
fazer", a não ser esperar a água escoar. FamÃlias recebem
colchões e roupas
12 de dezembro
O governo do Estado diz que parte do bairro será desapropriada para dar lugar ao Parque Várzeas do Tietê, cujo inÃcio das obras está previsto para março de 2010.
Mas não informa prazo exato
14 de dezembro
Kassab promete remover de 3,5 mil a 7 mil famÃlias até o
fim de janeiro
15 de dezembro
A Prefeitura estuda como tirar a água do bairro. Kassab diz que será feita uma drenagem, "muito possivelmente" com bombas
16 de dezembro
Kassab e técnicos da Prefeitura e do governo do Estado se reúnem e concluem que não é possÃvel bombear a água
17 de dezembro
A Prefeitura começa a cadastrar as famÃlias. Moradores receberão R$ 300 por mês para sair do bairro. Mas só uma pessoa é retirada do Jardim Romano
20 de dezembro
Prefeitura e o Daee escoam a água com auxÃlio de caminhões
22 de dezembro
Prefeitura começa a demolição de algumas casas
25 de dezembro
Com nova chuva, Jardim Romano alaga novamente; único caminhão da Prefeitura com bomba de sucção quebra
26 de dezembro
O prefeito afirma que mais de 600 famÃlias já foram cadastradas para deixar a área; 23 imóveis
haviam sido demolidos
