Sem solução para Jardim Romano, Prefeitura conta apenas com remoção

Seg, 11 de Agosto de 2008 21:17 Ferrer
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Noticia gospelprefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou ontem a criação de 3.265 moradias populares para moradores de áreas de risco na Várzea do Tietê, zona leste de São Paulo. Nove áreas serão desapropriadas nos bairros da Penha, Itaquera, Guaianases e Itaim Paulista, com uma área total de 142 mil m² e custo de cerca de R$ 300 milhões.

 

Para os moradores do Jardim Romano, no entanto, as boas notícias só são dadas com o verbo no futuro. No presente, a região voltou à estaca zero - ontem, o bairro sofreu com os piores alagamentos desde as chuvas do dia 8. E técnicos da Prefeitura afirmam que não há soluções emergenciais para o Jardim Romano até o fim dos temporais de verão.

"Remover os moradores das áreas de risco é a solução definitiva para a região. Enquanto isso, vamos intensificar a limpeza dos bueiros e das galerias. Mas não há nada que se possa fazer para que o bairro não alague mais", diz o subprefeito de São Miguel, Milton Persoli.

A região voltou a sofrer com os alagamentos em decorrência das fortes chuvas de domingo. Após menos de uma semana de trégua (e seca), as ruas do Jardim Romano se tornaram mais uma vez uma lagoa, transitáveis apenas de bote. Como no primeiro alagamento, não é possível utilizar agora caminhões com bombas, porque a água das ruas está no mesmo nível do rio e o solo encharcado não absorveria o excesso. Para evitar que o Tietê continuem invadindo o Jardim Romano, a Prefeitura chegou a considerar a construção de um dique ou uma mega bomba de R$ 150 milhões. Outras propostas, como erguer o nível de ruas que atualmente estão abaixo do rio, como a Capachós, também estão sendo avaliadas. No entanto, todas apresentam entraves técnicos.

A única saída para o bairro, segundo a Prefeitura, será a remoção de até 3 mil famílias e de todo o entulho nas margens do rio para a implantação de um parque linear, que vai atenuar o efeito das chuvas. O processo deve começar em março - até lá, as enchentes vão continuar.

"Quase todas as 340 unidades da CDHU já foram ocupadas pelas famílias que estavam em situação emergencial, e iremos fazer a partir de amanhã (hoje) o cadastro porta a porta de todas as famílias que estão na área de risco", diz Elisabete França, superintendente de Habitação Popular da Secretaria de Habitação. "Essas famílias receberão uma verba de auxílio-moradia durante todo o tempo que demorar até a construção dos apartamentos."

Enquanto o auxílio não chega, as famílias das áreas mais afetadas se acostumam com uma rotina de entra e sai no abrigo montado provisoriamente em uma escola pública. Ontem, foi a terceira vez que Cristina de Souza da Silva, mãe de sete filhos, levou finos colchonetes para lá para passar a noite. "Não aguento mais esse medo, não aguento mais ver a água entrando pela porta de casa", diz. "Precisamos de uma solução rápida. Quero ficar na minha casa, lógico, mas ainda prefiro vir aqui para o abrigo, porque pelo menos consigo dormir."

CRONOLOGIA

11 de dezembro
Para a Subprefeitura de São
Miguel Paulista, "não há o que
fazer", a não ser esperar a água escoar. Famílias recebem
colchões e roupas

12 de dezembro
O governo do Estado diz que parte do bairro será desapropriada para dar lugar ao Parque Várzeas do Tietê, cujo início das obras está previsto para março de 2010.
Mas não informa prazo exato

14 de dezembro
Kassab promete remover de 3,5 mil a 7 mil famílias até o
fim de janeiro

15 de dezembro
A Prefeitura estuda como tirar a água do bairro. Kassab diz que será feita uma drenagem, "muito possivelmente" com bombas

16 de dezembro
Kassab e técnicos da Prefeitura e do governo do Estado se reúnem e concluem que não é possível bombear a água

17 de dezembro
A Prefeitura começa a cadastrar as famílias. Moradores receberão R$ 300 por mês para sair do bairro. Mas só uma pessoa é retirada do Jardim Romano

20 de dezembro
Prefeitura e o Daee escoam a água com auxílio de caminhões

22 de dezembro
Prefeitura começa a demolição de algumas casas

25 de dezembro
Com nova chuva, Jardim Romano alaga novamente; único caminhão da Prefeitura com bomba de sucção quebra

26 de dezembro
O prefeito afirma que mais de 600 famílias já foram cadastradas para deixar a área; 23 imóveis
haviam sido demolidos

Última atualização em Ter, 29 de Dezembro de 2009 18:03

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